segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Disco da semana: Claridade - Clara Nunes



Um disco que mostra Clara Nunes em ótima forma. Na retaguarda, compositores do calibre, Walter Rosa, Candeia, Alberto Lonato, Monarco, Ismael Silva, Paulo César Pinheiro, Éden Silva, Aníbal da Silva e outros. Ou seja, juntou uma cantora extraordinária com alguns dos melhores compositores de samba da época. O resultado é um disco extraordinário.

Destaco dois sambas da Mangueira. Em "Juízo final", Clara mostra toda sua potência vocal. Outro samba que chamo a atenção é "Que sejas bem feliz", um dos sambas mais bonitos do Mestre Cartola.

Músicas:
1 O Mar Serenou (Candeia)
2 Sofrimento De Quem Ama (Alberto Lonato)
3 A Deusa Dos Orixás (Romildo & Toninho)
4 Juizo Final (Nelson Cavaquinho & Élcio Soares)
5 Tudo É Ilusão (Tufic Lauar, Eden Silva & Aníbal Da Silva)
6 Valso De Realejo (Paulo César Pinheiro & Guinga)
7 Bafo De Boca (João Nogueira & Paulo César Pinheiro)
8 O Último Bloco (Candeia)
9 Ninguém Tem Que Achar Ruim (Ismael Silva)
10 Ás Vezes Faz Bem Chorar (Ivor Lancellotti)
11 Vai Amor (Monarco & W. Rosa)
12 Que Seja Bem Feliz (Cartola)

Baixe esse disco no Prato e Faca.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Negra consciência

Em São Paulo hoje é feriado, mas o Vermute não para. Ainda mais no dia que comemoramos a Consicência Negra. Por isso exaltaremos um samba de enredo composto em 1978 pelos mestres Nei Lopes e Wilson Moreira para a escola de samba Quilombo (leia aqui seu manifesto). Seu nome: "Ao povo em forma de arte". Seu objetivo: valorizar a cultura negra brasileira.

Serão três versões:
1 - Cantada por Wilson Moreira e presente no disco "A arte de Wilson Moreira e Nei Lopes"



2 - Cantada por Roberto Ribeiro, no seu disco de 1978



3 - Cantada por Candeia, um dos fundadores da Quilombo, especial para o Fantástico



Veja as dezenas de influências que a cultura negra exerceu na vida dos brasileiros

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Toda a obra de Villa

Complementando o post de ontem, feito pelo Murilo, vou postar aqui uma preciosidade. A obra completa de Heitor Villa-Lobos, prontinha para ser baixada. Tudo isso no que é, com certeza, o melhor blog de música clássica escrito em português: P.Q.P Bach.



Baixem

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

50 anos sem Villa-Lobos

Ontem completamos 50 anos sem Heitor Villa-Lobos. Talvez o maior nome da música clássica nacional. Ficou notabilizado por incorporar elemento típicos das canções populares na música clássica. Assim, ele desenvolveu um estilo próprio e único, que era uma espécie de erúdito com um toque de popular.

Confesso, conheço muito pouco da obra do Maestro. No entanto, destacarei aqui dois vídeos com músicas que gosto bastante. A primeira é a famosa "Trenzinho caipira" que imita o andar de um trem.



Também peguei o vídeo do violonista Turibio Santos interpretando o "Choro nº 1"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Homenagem à Candeia

Salve o Almirante Negro!

Muito tempo antes de ficar mumunhando no microfone, João Bosco esbanjava sua técnica vocal de outras maneiras. Uma delas era simplesmente cantar com sua bela e afinada voz. E era isso que ele fazia em 1975 quando ocorreu este causo.

A censura estava pegando geral no Brasil. Qualquer palavrinha mais torta, insinuação à desordem, ao comunismo ou a qualquer coisa que não estivesse dentro da linha dos militares ou era proibido ou tinha que mudar. Isso aconteceu com o samba "Mestre sala dos mares", de João Bosco e Aldir Blanc.

O samba exalta a figura de João Cândido Felisberto, o "Almirante Negro", um dos líderes da Revolta da Chibata, em 1910 (entenda a Revolta da Chibata). Acontece que, por ser negro e ter comandado uma revolta contra os castigos corporais que eram aplicados aos subordinados de um navio, sua exaltação incomodava (e muito) os milicos.


Em uma ocasião, Aldir Blanc contou: "Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que a Marinha não toleraria loas e um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais, etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, (...) mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o "bonzinho", disse mais ou menos o seguinte:

-Vocês não então entendendo... Estão trocando as palavras como revolta, sangue, etc. e não é aí que a coisa tá pegando...

-Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um "telefone" nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa:

- O problema é essa história de negro, negro, negro..."

O samba foi mudado e a história é pouco conhecida. Veja a comparação entre a letra original e a alterada.

O Mestre sala dos mares




Sem censura
O Mestre Sala dos Mares
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos negros pelas pontas das chibatas
Inundando o coração de toda tripulação
Que a exemplo do marinheiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo

Letra Censurada
O Mestre Sala dos Mares
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo

Disco da semana: Tendinha - Martinho da Vila


- Tem alguma ideia aí?
- De disco?
- É.
- Tendinha?!

A conversa acima aconteceu algumas dezenas de vezes, entre eu e o Fel. E eis que chegou a hora.

Há quem diga que este é ultimo grande disco da carreira de Martinho da Vila. Sinceramente, me falta conhecimento para assinar em baixo essa afirmação. O disco é realmente muito bom, e nele Martinho já começa a flertar com a galera do Cacique de Ramos. A prova disso é que participa do LP, Almir Guineto e Neoci. O disco conquistou até quem não é lá muito ligado ao samba. Ed Motta disse que "[...] o disco Tendinha, do Martinho da Vila, de 1978, quando chegou lá em casa, quase furou de tanto tocar".

01 - Minha comadre
(Martinho da Vila)
• Garçon
(Cabana)
02 - Zé Ferreira
(Neoci - Jorge Aragão)
• Trepa no coqueiro
(Martinho da Vila - Tião Graúna)
• Poeira do caminho
(Mário Pereira)
• Chora viola, chora
(Carlito Cavalcanti - Nilton Santa Branca)
Participação: Neoci
03 - Mulata faceira
(Martinho da Vila)
Participação: Almir Guineto
04 - Amor não é brinquedo
(Candeia - Martinho da Vila)
05 - Que pena, que pena
(Gracia do Salgueiro - Martinho da Vila)
• Deixa serenar
(Sidney da Conceição - Castelo)
• Nem a lua
(Martinho da Vila - Noca - Charlote)
• O pior é saber
(Valter Rosa)
• Se eu errei
(Tolito)
06 - Deixa a Maria sambar
(Paulo Brazão)

Baixe esse disco no Samberéba.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Fim de semana explosivo em SP

Fim de semana cheio de opções para quem está em São Paulo. Para todos os gostos e bolsos.

Sexta

Carmen Queiroz no Ó do Borogodó
Rua Horácio Lane, 21 - Pinheiros
22h30
R$ 20,00
3814-4087

Sábado

Moacyr Luz no Bar Samba
Rua Fidalga, 308 - Vila Madalena
22h
R$ 15,00
3819-4619

Terreiro Grande no Bar do Alemão
Rua Jarinú, 591 - Tatuapé - Próximo à Pça Sílvio Romero
16h

Projeto Nosso Samba de Osasco no Ação Educativa
Além da roda, acontecerá também a exibição do documentário "Samba no Terreiro, Dez anos de história", que conta a história do Projeto Nosso Samba.
Rua General Jardim,660 - Vila Buarque
16h
8546-8492

Sábado e domingo


Paulo Vanzolini relança "Tempos de Cabo" no FECAP
O evento trará a cantora Ana Bernardo cantando as músicas de Vanzolini e o próprio recitando trechos do livro.
Avenida Liberdade, 532 - Liberdade - Próximo ao Metrô Liberdade
Sábado - 21h
Domingo - 19h
R$ 20,00
2626-0929

Domingo


Gafieira na Casa e Barão do Pandeiro no Miscelânea Cultural
Rua Álvaro Nunes, 91 - Pinheiros
20h
R$ 10,00

Projeto Samba de Terreiro de Mauá - Última roda do ano!
Rua San Juan, 121 - Parque das Américas - Mauá - Próximo à Estação Guapituba da CPTM
15h

Curtam sem moderação!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pet, o ídolo do Mais Querido

Recente fiz uma matéria para o novo formato da Revista Invicto falando da relação entre música (principalmente samba) e a paixão pelo futebol.

E não foi que hoje, no blog Ancelmo.com, do O Globo, ouvi um samba feito para o ídolo do Mengão, Pet!

Feito por Alvaro Gribel, o som exalta o caminho de glórias trilhado pelo atual camisa 43. O samba, que já foi ouvido por mais de 25 mil pessoas, não é um primor. É bom e associado a paixão dos rubro-negros certamente é mais emocionante.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão não, Blecaute!

O assunto no país inteiro é o mesmo: o apagão que deixou inúmeros brasileiros às escuras na noite de ontem. E aqui não poderia ser diferente. Falemos de Black-out, ou melhor do Blecaute!


Nasceu na cidade paulista de Espirito Santo do Pinhal em 1919, chamado Otávio Henrique de Oliveira. Em 1941, começou sua vida artística na Rádio Difusora e mudou-se para o Rio no ano seguinte. Ficou famoso por gravar algumas marchinhas de grande sucesso, como "O pedreiro Valdemar", de Wilson Batista e Roberto Martins. Gravada em outubro de 1948 com acompanhamento de Severino Araújo e Orquestra Tabajara, a música estourou no carnaval do ano seguinte.

Considerada desde logo uma música de forte conotação social, lembra bastante uma música que também estouraria 30 anos depois. "Cidadão", de Zé Geraldo, é um dos ícones musicais da Teologia da Libertação e tem os seguintes versos:

"Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado, tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?"

Já a música cantada por Blecaute é bem mais simples, mas no final das contas tem o mesmo significado:
"O Valdemar, que é mestre no ofício,
Constrói um edifício e depois não pode entrar"

Pedreiro Valdemar


Com um carisma irretocável, Blecaute foi uma figura conhecidíssima entre os anos 1960 e 1980. Chegou a incorporar a figura de "General da Banda", fantasia que ele impunhava e com a qual percorria desfiles e bailes de carnaval.

General da Banda


Blecaute morreu em 1983.