Um disco que mostra Clara Nunes em ótima forma. Na retaguarda, compositores do calibre, Walter Rosa, Candeia, Alberto Lonato, Monarco, Ismael Silva, Paulo César Pinheiro, Éden Silva, Aníbal da Silva e outros. Ou seja, juntou uma cantora extraordinária com alguns dos melhores compositores de samba da época. O resultado é um disco extraordinário.
Destaco dois sambas da Mangueira. Em "Juízo final", Clara mostra toda sua potência vocal. Outro samba que chamo a atenção é "Que sejas bem feliz", um dos sambas mais bonitos do Mestre Cartola.
Músicas: 1 O Mar Serenou (Candeia) 2 Sofrimento De Quem Ama (Alberto Lonato) 3 A Deusa Dos Orixás (Romildo & Toninho) 4 Juizo Final (Nelson Cavaquinho & Élcio Soares) 5 Tudo É Ilusão (Tufic Lauar, Eden Silva & Aníbal Da Silva) 6 Valso De Realejo (Paulo César Pinheiro & Guinga) 7 Bafo De Boca (João Nogueira & Paulo César Pinheiro) 8 O Último Bloco (Candeia) 9 Ninguém Tem Que Achar Ruim (Ismael Silva) 10 Ás Vezes Faz Bem Chorar (Ivor Lancellotti) 11 Vai Amor (Monarco & W. Rosa) 12 Que Seja Bem Feliz (Cartola)
Em São Paulo hoje é feriado, mas o Vermute não para. Ainda mais no dia que comemoramos a Consicência Negra. Por isso exaltaremos um samba de enredo composto em 1978 pelos mestres Nei Lopes e Wilson Moreira para a escola de samba Quilombo (leia aqui seu manifesto). Seu nome: "Ao povo em forma de arte". Seu objetivo: valorizar a cultura negra brasileira.
Complementando o post de ontem, feito pelo Murilo, vou postar aqui uma preciosidade. A obra completa de Heitor Villa-Lobos, prontinha para ser baixada. Tudo isso no que é, com certeza, o melhor blog de música clássica escrito em português: P.Q.P Bach.
Ontem completamos 50 anos sem Heitor Villa-Lobos. Talvez o maior nome da música clássica nacional. Ficou notabilizado por incorporar elemento típicos das canções populares na música clássica. Assim, ele desenvolveu um estilo próprio e único, que era uma espécie de erúdito com um toque de popular.
Confesso, conheço muito pouco da obra do Maestro. No entanto, destacarei aqui dois vídeos com músicas que gosto bastante. A primeira é a famosa "Trenzinho caipira" que imita o andar de um trem.
Também peguei o vídeo do violonista Turibio Santos interpretando o "Choro nº 1"
Muito tempo antes de ficar mumunhando no microfone, João Bosco esbanjava sua técnica vocal de outras maneiras. Uma delas era simplesmente cantar com sua bela e afinada voz. E era isso que ele fazia em 1975 quando ocorreu este causo.
A censura estava pegando geral no Brasil. Qualquer palavrinha mais torta, insinuação à desordem, ao comunismo ou a qualquer coisa que não estivesse dentro da linha dos militares ou era proibido ou tinha que mudar. Isso aconteceu com o samba "Mestre sala dos mares", de João Bosco e Aldir Blanc.
O samba exalta a figura de João Cândido Felisberto, o "Almirante Negro", um dos líderes da Revolta da Chibata, em 1910 (entenda a Revolta da Chibata). Acontece que, por ser negro e ter comandado uma revolta contra os castigos corporais que eram aplicados aos subordinados de um navio, sua exaltação incomodava (e muito) os milicos.
Em uma ocasião, Aldir Blanc contou: "Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que a Marinha não toleraria loas e um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais, etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, (...) mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o "bonzinho", disse mais ou menos o seguinte:
-Vocês não então entendendo... Estão trocando as palavras como revolta, sangue, etc. e não é aí que a coisa tá pegando...
-Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um "telefone" nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa:
- O problema é essa história de negro, negro, negro..."
O samba foi mudado e a história é pouco conhecida. Veja a comparação entre a letra original e a alterada.
O Mestre sala dos mares
Sem censura O Mestre Sala dos Mares Há muito tempo nas águas da Guanabara O dragão do mar reapareceu Na figura de um bravo marinheiro A quem a história não esqueceu Conhecido como o almirante negro Tinha a dignidade de um mestre sala E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas Jovens polacas e por batalhões de mulatas Rubras cascatas jorravam das costas dos negros pelas pontas das chibatas Inundando o coração de toda tripulação Que a exemplo do marinheiro gritava então Glória aos piratas, às mulatas, às sereias Glória à farofa, à cachaça, às baleias Glória a todas as lutas inglórias Que através da nossa história Não esquecemos jamais Salve o almirante negro Que tem por monumento As pedras pisadas do cais Mas faz muito tempo
Letra Censurada O Mestre Sala dos Mares Há muito tempo nas águas da Guanabara O dragão do mar reapareceu Na figura de um bravo feiticeiro A quem a história não esqueceu Conhecido como o navegante negro Tinha a dignidade de um mestre sala E ao acenar pelo mar na alegria das regatas Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas Jovens polacas e por batalhões de mulatas Rubras cascatas jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas Inundando o coração do pessoal do porão Que a exemplo do feiticeiro gritava então Glória aos piratas, às mulatas, às sereias Glória à farofa, à cachaça, às baleias Glória a todas as lutas inglórias Que através da nossa história Não esquecemos jamais Salve o navegante negro Que tem por monumento As pedras pisadas do cais Mas faz muito tempo
- Tem alguma ideia aí? - De disco? - É. - Tendinha?!
A conversa acima aconteceu algumas dezenas de vezes, entre eu e o Fel. E eis que chegou a hora.
Há quem diga que este é ultimo grande disco da carreira de Martinho da Vila. Sinceramente, me falta conhecimento para assinar em baixo essa afirmação. O disco é realmente muito bom, e nele Martinho já começa a flertar com a galera do Cacique de Ramos. A prova disso é que participa do LP, Almir Guineto e Neoci. O disco conquistou até quem não é lá muito ligado ao samba. Ed Motta disse que "[...] o disco Tendinha, do Martinho da Vila, de 1978, quando chegou lá em casa, quase furou de tanto tocar".
01 - Minha comadre (Martinho da Vila) • Garçon (Cabana) 02 - Zé Ferreira (Neoci - Jorge Aragão) • Trepa no coqueiro (Martinho da Vila - Tião Graúna) • Poeira do caminho (Mário Pereira) • Chora viola, chora (Carlito Cavalcanti - Nilton Santa Branca) Participação: Neoci 03 - Mulata faceira (Martinho da Vila) Participação: Almir Guineto 04 - Amor não é brinquedo (Candeia - Martinho da Vila) 05 - Que pena, que pena (Gracia do Salgueiro - Martinho da Vila) • Deixa serenar (Sidney da Conceição - Castelo) • Nem a lua (Martinho da Vila - Noca - Charlote) • O pior é saber (Valter Rosa) • Se eu errei (Tolito) 06 - Deixa a Maria sambar (Paulo Brazão)
Fim de semana cheio de opções para quem está em São Paulo. Para todos os gostos e bolsos.
Sexta
Carmen Queiroz no Ó do Borogodó Rua Horácio Lane, 21 - Pinheiros 22h30 R$ 20,00 3814-4087
Sábado
Moacyr Luz no Bar Samba Rua Fidalga, 308 - Vila Madalena 22h R$ 15,00 3819-4619
Terreiro Grande no Bar do Alemão Rua Jarinú, 591 - Tatuapé - Próximo à Pça Sílvio Romero 16h
Projeto Nosso Samba de Osasco no Ação Educativa Além da roda, acontecerá também a exibição do documentário "Samba no Terreiro, Dez anos de história", que conta a história do Projeto Nosso Samba. Rua General Jardim,660 - Vila Buarque 16h 8546-8492 Sábado e domingo
Paulo Vanzolini relança "Tempos de Cabo" no FECAP O evento trará a cantora Ana Bernardo cantando as músicas de Vanzolini e o próprio recitando trechos do livro. Avenida Liberdade, 532 - Liberdade - Próximo ao Metrô Liberdade Sábado - 21h Domingo - 19h R$ 20,00 2626-0929 Domingo
Gafieira na Casa e Barão do Pandeiro no Miscelânea Cultural Rua Álvaro Nunes, 91 - Pinheiros 20h R$ 10,00
Projeto Samba de Terreiro de Mauá - Última roda do ano! Rua San Juan, 121 - Parque das Américas - Mauá - Próximo à Estação Guapituba da CPTM 15h
Recente fiz uma matéria para o novo formato da Revista Invicto falando da relação entre música (principalmente samba) e a paixão pelo futebol.
E não foi que hoje, no blog Ancelmo.com, do O Globo, ouvi um samba feito para o ídolo do Mengão, Pet!
Feito por Alvaro Gribel, o som exalta o caminho de glórias trilhado pelo atual camisa 43. O samba, que já foi ouvido por mais de 25 mil pessoas, não é um primor. É bom e associado a paixão dos rubro-negros certamente é mais emocionante.
O assunto no país inteiro é o mesmo: o apagão que deixou inúmeros brasileiros às escuras na noite de ontem. E aqui não poderia ser diferente. Falemos de Black-out, ou melhor do Blecaute!
Nasceu na cidade paulista de Espirito Santo do Pinhal em 1919, chamado Otávio Henrique de Oliveira. Em 1941, começou sua vida artística na Rádio Difusora e mudou-se para o Rio no ano seguinte. Ficou famoso por gravar algumas marchinhas de grande sucesso, como "O pedreiro Valdemar", de Wilson Batista e Roberto Martins. Gravada em outubro de 1948 com acompanhamento de Severino Araújo e Orquestra Tabajara, a música estourou no carnaval do ano seguinte.
Considerada desde logo uma música de forte conotação social, lembra bastante uma música que também estouraria 30 anos depois. "Cidadão", de Zé Geraldo, é um dos ícones musicais da Teologia da Libertação e tem os seguintes versos:
"Tá vendo aquele edifício moço? Ajudei a levantar Foi um tempo de aflição Eram quatro condução Duas pra ir, duas pra voltar Hoje depois dele pronto Olho pra cima e fico tonto Mas me chega um cidadão E me diz desconfiado, tu tá aí admirado Ou tá querendo roubar?"
Já a música cantada por Blecaute é bem mais simples, mas no final das contas tem o mesmo significado: "O Valdemar, que é mestre no ofício, Constrói um edifício e depois não pode entrar"
Pedreiro Valdemar
Com um carisma irretocável, Blecaute foi uma figura conhecidíssima entre os anos 1960 e 1980. Chegou a incorporar a figura de "General da Banda", fantasia que ele impunhava e com a qual percorria desfiles e bailes de carnaval.
O amendoim, um aperitivo que estimula o apetite, aquece o paladar, abrindo as papilas para o sabor.
O vermute, uma bebida espirituosa, que lembra o vinho e, se misturado com uma boa cachaça resulta no traçado.
A mistura é motivo de papo de bar e deu samba em 1935. Foi composto em parceria de Noel Rosa com Heitor dos Prazeres. Aqui também é motivo de bom papo.
Murilo Mendes
Conheci o samba no início de 2005 e de lá pra cá minha admiração só cresceu. Não tenho a pretensão de ser um estudioso no assunto, prefiro ser apenas um amante do samba.
Não nasci ouvindo samba. Não toco cavaco ou cuíca. As batidas do tamborim entraram à tarde nos meus ouvidos, mas era tempo de samba. Ao final da noite, mais um sambista caía na roda. Sem ter medo da quarta-feira.
A Bossa Nova veio primeiro, com as músicas na voz e no violão de minha mãe. O samba entrou sem ser percebido e a flauta convidou o choro para ficar. A partir daí, não quis parar de descobrir os compositores, ler e entender mais sobre música brasileira.
Paula toca flauta transversal e estuda jornalismo.